Camboja

Siem Reap e Phnom Penh

Após duas semanas na Tailândia, a viagem de volta ao mundo continuou pelo Camboja, onde visitei a cidade de Siem Reap (que concentra as principais atrações turísticas do país) e a capital Phnom Penh (para conhecer um pouco mais da história recente cambojana).

O Camboja é um país bem pobre e com uma história bem trágica, mas Siem Reap, cidade que está mais próxima da fronteira com a Tailândia, e por isso, minha primeira parada, possui uma infraestrutura boa para receber turistas (que são numerosos), com hotéis de diferentes faixas de preços, hostels e bons restaurantes. Mas quando digo bons restaurantes não estou falando de lugares caros. Falo de locais com boa comida e baratos.

Em Siem Reap a principal atração é o templo de Angkor Wat, que junto com outros templos formam a antiga capital do Império Khmer. Angkor Wat é o mais conhecido de todos e é um símbolo no Camboja, com sua imagem presente até mesmo na bandeira.

Para chegar até lá é preciso fechar o dia com um motorista de tuk tuk. A maioria das pessoas prefere ir bem cedo para ver o nascer do sol, ou no fim do dia, para ver o por do sol no local. Eu acordei bem cedo, mas dei azar. Naquele dia o sol só apareceu lá pelas 10h.

Fechar o dia com um motorista vale a pena porque assim é possível já visitar os outros templos do complexo. Angkor Wat é grande e irá tomar algumas horas do passeio.

Nesse mesmo dia, visitei também o templo Bayon, com rostos enormes esculpidos por todo lado da construção, além do Ta Prohm, onde algumas cenas do filme Tomb Raider foram feitas e onde árvores já tomam conta do templo.

Os templos são considerados patrimônio da humanidade pela Unesco e atraem muita gente. Foi algo que me surpreendeu no local, pois acaba ficando tão cheio quanto Machu Picchu, no Peru, e na minha cabeça, Angkor Wat ainda era um pouco mais desconhecido.

Mas também não se espante com meu relato, pois o “cheio” não é algo como a 25 de março antes do Natal, embora haja uma certa disputa pelo melhor local para fotografar no nascer do sol.

O caminho de Siem Reap até os templos é tranquilo e seguro e a estrada é asfaltada. Mas tome um pouco de cuidado com os macacos que aparecem na beira da estrada, pois eles também podem ser bem safados como os da Tailândia. Comigo nada aconteceu, mas uma garota do meu hostel teve sua bolsinha de moedas roubada por um deles.

Mas além dos templos também dá para curtir um pouco a cidade. Em um dia livre por lá aproveitei para fazer um curso de culinária cambojana (fiz rolinhos primavera e Amok, mas já esqueci a receita…)  em um lugar chamado Le Tigre de Papier.

Também dá para fazer uma massagem nos pés um tanto quanto estranha… A cidade tem diversos estabelecimentos com tanques de peixes para você colocar os pés e relaxar enquanto eles comem a pele morta.

Em um outro dia, fui conhecer uma cachoeira nos arredores de Siem Reap. Mas considerando as cachoeiras que temos no Brasil, não foi algo surpreendente. Após isso visitamos um museu sobre o trabalho de desarmar minas que ainda restam no país tanto do período da Guerra do Vietnã (o Camboja também foi bombardeado pelos EUA já que o país, assim como o Laos, era usado pelos exército do Vietnã do Norte para enviar armas aos combatentes do sul) quanto do período do regime do Khmer Vermelho.

O museu foi criado exatamente por um cara que ajuda a desarmar as minas e conta como, no início, o trabalho era feito sem nenhuma segurança, até que a ONU passasse a trabalhar junto com eles e orientando sobre como o desarmamento deveria ser feito.

Ver pessoas sem partes do braço ou sem uma perna, infelizmente, é até um pouco comum no Camboja. O país ainda tem muitas minas para desarmar e muitas já causaram estragos por lá.

De Siem Reap segui para Phom Penh. A capital do país é um pouquinho mais caótica, com motos e tuk tuks por todos os lados e as atrações são menores e mais voltadas para lembrar a história recente do país.

Os dois principais locais que pessoas de todo o mundo visitam em Phom Penh são o S21, uma escola que durante o regime do Khmer Vermelho foi transformada em prisão, e o Campo de Extermínio.

Para os cambojanos esses lugares permanecem como locais para prestar homenagens e lembrar daqueles que sofreram e morreram durante o período. No S21 cada sala de aula foi transformada em cela, mas agora são locais onde estão fotos de prisioneiros e suas histórias, com os motivos de suas prisões, que podiam ser absolutamente qualquer coisa, como o simples fato de ter uma formação superior, ser um intelectual ou até mesmo filho ou cônjuge de um.

A maioria dos prisioneiros do S21 eram levados em caminhões até o Campo de Extermínio, que para quem visita hoje em dia parece apenas um grande jardim com árvores e um lago. Um lugar para relaxar. Mas ao caminhar pelo local e ouvir o rádio-guia as coisas começam a ficar pesadas e chocantes.

Na visita soube que grande parte das escolas do Camboja foram transformadas em prisões, pois Pol Pot, o líder do Khmer Vermelho, considerava que a educação era uma perda de tempo e que os cambojanos que queriam obter diplomas poderiam obtê-los trabalhando no campo.

Pol Pot considerava que era melhor matar um inocente do que deixar um inimigo vivo e com essa justificativa, o Khmer Vermelho levou a cabo um genocídio, com a morte de milhões de pessoas.

O regime também matou crianças, inclusive bebês. Nesse caso, os assassinatos ocorriam para “evitar que essas crianças buscassem no futuro uma vingança pela morte de seus pais”. Em uma árvore no Campo de Extermínio é possível ver diversas fitinhas e enfeites, como uma forma de homenagear esses bebês, que eram mortos ao serem segurados pelos pés e terem suas cabeças arremessadas contra essa árvore.

No Campo de Extermínio foram encontrados várias valas coletivas onde as pessoas eram enterradas, e algumas dessas valas ainda estão fechadas, pois acharam melhor deixar os corpos que lá estão, em paz.

Esse passeio acaba sendo chocante mas com ele pude entender melhor a história do país e até mesmo a atual situação do Camboja.

O país é bem pobre e pelas estradas você vê diversas casas que mais parecem palafitas e caminhões que transportam os trabalhadores em pé, lotando as caçambas.

Após anos de um governo que destruiu sua educação e matou parte da população, os efeitos disso ainda estão vivos e a recuperação ainda deve demorar muito, mas ainda assim os cambojanos conseguem manter uma simpatia difícil de encontrar. Seus sorrisos parecem genuínos e não conheci um estrangeiro por lá que não tenha se encantado com essa receptividade.

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