Hungria

Budapeste

Budapeste foi a única cidade da Hungria que visitei, após uma jornada de 24 horas entre Sarajevo e a capital húngara, com uma parada de algumas horas em Belgrado. Foram 5 dias na cidade que valeram muito a pena. Budapeste é grande mas plana o que acaba sendo um incentivo para fazer tudo caminhando.

Foi lá que pela primeira vez decidi fazer o chamado Free Walking Tour, que pelo que percebi, estão se tornando bem comuns na Europa. Você só paga uma gorjeta para o guia no final e o tour costuma durar duas horas e meia, dependendo da cidade.

Nesse tour pude saber de coisas que não saberia sobre a história da Hungria caminhando por minha própria conta pela cidade.

Mas vamos ao que interessa. Budapeste é dividida em duas partes, Buda e Peste, que são separadas pelo rio Danúbio. Não são bairros. Buda e Peste eram duas cidades diferentes que cresceram e acabaram virando uma só.

Em Buda estão as construções mais antigas, isso porque é uma parte mais alta da cidade (a parte não plana de Budapeste) que ficou mais protegida de uma grande inundação do Danúbio que destruiu o lado Pest (isso de acordo com o guia do Free Walking Tour).

Entre as atrações, estão o Palácio Real e a Igreja Matias. Lá também é possível ver a troca de guarda, quando tocam os tambores, um soldado grita um monte de coisa em húngaro, e trocam-se os guardas (bem sem-graça, e segundo o guia húngaro, foi algo adotado quando um governo mais de direita e nacionalista chegou ao poder).

Em Buda também está o Monumento à Liberdade, que fica no alto de um morro, ideal para ver a cidade toda durante o pôr do sol.

Já em Pest estão o imponente prédio do Parlamento, diversos museus, além de igrejas e sinagogas que acabam sendo atrações também pela arquitetura e pela história. Aqui foi onde se concentrou os dois Free Tours que fiz (um geral e um sobre o período comunista), embora o primeiro tenha passado por Buda também.

Em Pest ainda é possível ver prédios com marca de tiros da Revolução de 1956, quando a Hungria estava ocupada por tropas soviéticas e estudantes tomaram uma rádio exigindo a saída das tropas e democracia, entre outras coisas.

Poder entender um pouquinho da história da Hungria foi o lado positivo de fazer o Free Walking Tour. O país passou por muitos anos de ocupação e repressão. Na Segunda Guerra Mundial, a Hungria havia se aliado à Alemanha Nazista, com os soldados alemães e húngaros perseguindo judeus e uma grande parte da população de judeus de Budapeste sendo enviada a campos de concentração.

Já após o fim da guerra, com a derrota, a Hungria foi ocupada pelas tropas soviéticas e começou a viver um outro tipo de repressão (aqui, além do tour, foi legal visitar um museu chamado de House of Terror – ou Casa do Terror -, onde eles contam a história das perseguições, torturas e mortes durante as duas ocupações).

Logo após a ocupação soviética, foram alemães que começaram a ser perseguidos. Segundo informações no museu, as tropas soviéticas acabavam perseguindo até mesmo quem tivesse um nome parecido com alemão e enviando para espécies de campos de concentração onde eram forçados a trabalhar.

Mas além disso, muitos húngaros foram removidos de suas casas em Budapeste para irem trabalhar em campos. Segundo os húngaros, não havia liberdade nesses campos e as famílias tinham que permanecer nas áreas determinadas, fazendo seus trabalhos.

Com a chegada do comunismo, também veio a filosofia do “se você não está conosco, está contra nós”, o que acabou levando o terror realmente. Qualquer coisa levantava suspeitas, e as pessoas eram torturadas até confessarem. E apenas essa confissão bastava para a prisão ou pena de morte, sem nenhuma outra prova.

Com tanta repressão, estudantes húngaros tomaram uma emissora de rádio e fizeram diversas exigências como a saída das tropas soviéticas do país. Protestos foram duramente reprimidos, mas continuaram por um tempo até que ainda mais tropas soviéticas chegassem ao país.

Poucos prédios ainda têm marcas de tiros dessa época. Digo poucos mesmos. Acho que vi dois ou três (muito menos do que vi em Sarajevo) e nem ficaria sabendo que eram marcas da revolução se não tivesse feito o Free Walking Tour. Isso porque a maioria dos prédios já passou por reformas e as marcas sumiram.

Apesar da revolução ter sido perdida, ela acabou gerando a adoção do “Comunismo Feliz”, no qual, de acordo com os guias húngaros, as pessoas passaram a poder exercer suas religiões em casa e fazer outras coisas proibidas, desde que não comentassem nada nas ruas. Uma espécie de “não pergunte, não diga”.

Fazer o tour sobre o comunismo também foi interessante por ouvir histórias sobre a propaganda comunista, como o fato de que a novela brasileira A Escrava Isaura foi transmitida na Hungria, com as pessoas acreditando que em todos os países capitalistas a escravidão ainda era uma realidade, e até mesmo com os húngaros se mobilizando para tentar libertar Isaura, arrecadando dinheiro.

Outra coisa interessante foi poder ouvir sobre a situação atual da Hungria. Simplesmente vendo Budapeste, imaginaria que é um país perfeito, mas os húngaros também sofrem com a má política.

Entre os políticos de esquerda, muitos ainda estão ligados ao período comunista e à repressão (algo que me lembrou a situação brasileira com ainda muitos políticos da época da ditadura militar).

Já a direita ocupa atualmente o poder, e detém maioria no Congresso, tendo mudado a Constituição Húngara diversas vezes nos últimos anos, e adotando algumas políticas meio questionáveis como proibir as pessoas de morarem nas ruas. Quem é pego morando na rua é preso, o que segundo um dos guias, acaba sendo algo que mendigos preferem, já que ficam em lugar aquecido e com direito a tomar banho. Mas como proibir alguém de morar na rua, se quando esse alguém mora na rua é porque não tem opção?

Este slideshow necessita de JavaScript.

Ir para o site

Anúncios

Um comentário sobre “Hungria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s