Bósnia e Hezergovina

Mostar e Sarajevo

Apenas duas cidades bósnias entraram na minha lista, com base na recomendação de alguns amigos e conhecidos que já visitaram o país, e apesar de terem sido poucas as paradas na Bósnia, elas valeram a pena.

Mesmo entre outros mochileiros, depois que contava que passei pela Bósnia eu ouvi a pergunta sobre a segurança no país. Posso dizer que é extremamente seguro. A guerra acabou já faz quase 20 anos, não há sinais de existência do tipo de violência que vivemos no Brasil e o país tenta seguir apesar de ainda ter muitas marcas visíveis do conflito.

Em Mostar, uma cidade bem pequena e que pode ser conhecida em algumas horas, os estragos ainda estão mais visíveis, com vários prédios em ruínas e muitas marcas de tiros. A principal atração é o centro histórico, onde está a Ponte Velha, a última a ser destruída durante a guerra e a última a ser reconstruída, pelo que me falaram por lá.

Tem gente que pula da Ponte (para nadar no rio, não para se matar), mas a ponte é bem alta e eu não tive coragem. Além disso, não estava calor.

Em Sarajevo as marcas também estão visíveis, embora eu tenha visto um número menor de prédios abandonados e em ruínas. Além disso, diferentemente de Mostar, não vi nenhuma loja de souvenirs vendendo chaveiros feitos de projétil de bala.

A capital tem diversas construções históricas e ruazinhas feitas apenas para pedestres, mas em todas as atrações há coisas relacionadas à guerra do início dos anos 90.

A biblioteca Nacional, um prédio histórico de onde o Arquiduque Franz Ferdinand (ou Francisco Fernando se você prefere traduzir totalmente para o português) saiu antes de ser assassinado em 1914, foi reaberta recentemente depois de ter sido atingida por bombas incendiárias durante a guerra de 92-95. Na entrada uma placa avisa que “criminosos sérvios atacaram o local” destruindo boa parte de seu acervo.

Já na esquina onde o Arquiduque foi assassinado, uma placa informa que um artista havia feito uma obra com as pegadas de Gavrilo Princip, quem matou o Arquiduque, e que ficava no exato local de onde ele atirou. Mas alerta que a obra desapareceu em 1992.

Outra atração de Sarajevo é o Museu do Túnel. Nele é possível caminhar por 20 metros no túnel que os bósnios construíram com o objetivo de levar comida até a cidade sitiada ou de permitir que as pessoas pudessem deixar a capital.

O túnel tinha 800 metros, mas após ser concluído começou a ser usado como forma de extorquir dinheiro. Isso porque o documento autorizando alguém a usar o túnel era dado de forma mais rápida a quem pagava mais, e quem não tinha como pagar, não deixava Sarajevo.

No museu também fiquei sabendo que o túnel não ia até o aeroporto da cidade, ocupado pela ONU para impedir que o exército sérvio cercasse completamente a cidade. A saída ficava após o aeroporto, pois a  ONU considerava o local como zona neutra e não permitia o acesso dos bósnios.

UN (a sigla em inglês para ONU) é por vezes chamada de United for Nothing na Bósnia. Diz-se que, além do aeroporto, a organização nada fez para impedir o genocídio feito na cidade de Srebrenica (onde 8 mil homens muçulmanos, incluindo meninos e idosos) foram assassinados.

Aliás, esse foi o primeiro país muçulmano que visitei, mas não senti uma grande diferença cultural. As mesquitas estão por toda parte, e há muitas mulheres com véus andando pelas ruas. Mas também há muitas sem o véu e em nenhum momento senti que houvesse um conservadorismo maior por lá.

Na minha passagem pela Bósnia e Hezergovina achei realmente estranho ver todas essas marcas de guerras e acho que me senti assim por ser algo recente. Pessoas da minha idade, e a maioria da população atual da Bósnia, viveram essa guerra e perderam algum parente ou amigo. Ainda assim eles tratam as pessoas com muita simpatia e parecem estar felizes ao ver que cada vez mais estrangeiros se interessam pelo país.

 

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